A importância de fundos de capital de risco para apoiar startups promissoras

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Por Franklin Luzes //

Atualmente, as iniciativas de investimentos em startups estão em alta ao redor do mundo. Mas, devido à alta taxa de mortalidade no Brasil – a expectativa do tempo de vida de uma companhia desse porte é de cerca de cinco anos – e as dificuldades encontradas caso o negócio venha eventualmente a fracassar, esse não é exatamente o mesmo cenário que vemos por aqui. A realidade é que caso não tenham sucesso em uma primeira tentativa, diferentemente do que acontece em muitos outros países, os empreendedores brasileiros terão muito trabalho para conseguir abrir um novo negócio. Por outro lado, caso a empresa consiga vencer o desafio de se manter viva, em média, aqui no Brasil, o tempo para uma startup conseguir ter sucesso é de aproximadamente sete anos.

Desta forma, para conseguir sobreviver e vencer a barreira dos primeiros cinco anos, muitos empreendedores buscam apoio de aceleradoras e de investidores anjo, os quais conseguem suportar financeiramente a fase inicial da operação da startup com um valor de capital que varia de R$ 50 mil a R$ 500 mil. Porém, após esse período, especialmente, se a empresa tiver desenvolvido um produto atrativo ao mercado que resolva um problema real e que já tenha conquistado alguns primeiros clientes, a empresa vai necessitar de mais capital. Por essa razão, uma prática, que vem ganhando força no mercado brasileiro consiste na criação de um Fundo de Capital de Risco voltado ao segmento de Capital Semente, o qual, em geral, suportará a empresa com investimentos de R$ 500 mil a R$ 3 milhões, estágio conhecido no mercado como “Pré-Série A”. Toda essa tarefa visa apoiar empresas inovadoras, que ainda têm um faturamento pequeno, a ganhar escala e também amadurecer do ponto de vista organizacional, geralmente mudando de um regime de sociedade limitada para sociedade anônima.

O Fundo BR Startups, idealizado pela Microsoft e gerenciado pelo time da MSW Capital, foi criado no Brasil e exigiu quatro anos intensos de trabalho para fomentar a economia, o crescimento, o impacto e a relevância no País. Hoje em dia, nós conseguimos reunir, como investidores do Fundo, importantes companhias como Microsoft Participações, Banco Votorantim, Monsanto (atualmente Bayer), Grupo Algar, Banco do Brasil Seguros, ES Ventures e AgeRio. O Fundo investe entre R$ 500 mil e R$ 3 milhões para ajudar as startups a realizarem a conexão entre a fase de aceleração/investimento anjo e uma rodada de investimento “Série-A”. Além disso, também incentiva as empresas brasileiras a apoiarem novos empreendedores. Desde sua criação, em 2014, o Fundo já captou R$ 32 milhões, e 15 startups receberam investimentos.

No ano passado foram realizados três investimentos nos segmentos agritech (Tbit com o investimento de R$ 1 milhão), fintech (QueroQuitar, que recebeu investimento de R$ 1 milhão) e insurtech (Car10 com R$ 2 milhões de investimento). As startups investidas recebem o suporte contínuo dos investidores corporativos do Fundo BR Startups e da gestora, que inclui desde orientação estratégica ao aprimoramento da tecnologia de produtos/serviços voltados a Nuvem, acesso à rede comercial até a criação de condições necessárias para as futuras rodadas de investimento. Os empreendedores também recebem uma mentoria dos principais executivos dos investidores corporativos. Esse conjunto de iniciativas é fundamental para o desenvolvimento e o crescimento do negócio investido pelo Fundo.

Para esse ciclo continuar funcionando, é importante que empreendedores, investidores entendam que é necessário se capacitar, criar uma cultura interna voltada ao crescimento acelerado e contribuir ativamente para que mais casos de sucesso aconteçam aqui no Brasil. Fomentar esse ecossistema de empreendedorismo é um desafio gigantesco. É um dever não só de uma empresa. Por maior que ela seja, é impossível uma companhia sozinha sustentar um ecossistema inteiro. Aproveitando o conceito de inovação aberta, de valor compartilhado, de trabalhar em conjunto, conseguimos ajudar o crescimento do ecossistema brasileiro muito mais rápido.

Fui empreendedor e hoje tenho a missão de empoderar o nosso ecossistema a realizar mais ou, como costumo dizer, fazer com que os sonhos dos empreendedores se tornem realidade. Eu sei que ainda temos muito a fazer, mas estamos convictos que estamos no caminho certo da nossa jornada para ajudarmos as startups brasileiras a conquistarem o mundo.

Franklin Luzes é COO da Microsoft Participações.

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