Cirurgiões robóticos ajudam a combater o câncer de próstata no mundo todo

Por Marc Freeman //

Mais de 220.000 cidadãos americanos foram diagnosticados com câncer de próstata em 2015, e cerca de 30.000 homens morrem anualmente dessa doença nos EUA. Muitas dessas vidas poderiam ser salvas se o câncer fosse diagnosticado mais cedo.

Para ampliar o entendimento público sobre a doença, os EUA reconhecem setembro como Mês Nacional de Consciência sobre a Próstata. Estabelecido originalmente pelo Senado em 2001, o mês é ressaltado anualmente pelos presidentes americanos como o período para “honrar todos aqueles que perdemos e redobrar nossos esforços para vencer o câncer de próstata de uma vez por todas”.

Com esse objetivo, médicos de todo o mundo têm feito grandes avanços no tratamento e na recuperação dos pacientes ao utilizar tecnologia de ponta para simplificar operações e melhorar a educação.

Em 23 de maio, milhares de espectadores cadastrados receberam um vislumbre gratuito do incrível futuro dessa medicina com o Worldwide Robotic Surgery Event (WRSE24), um evento global de 24 horas que exibiu cirurgias robóticas ao vivo e palestras de quatro continentes, utilizando os canais LiveArena Broadcast, Microsoft Azure e Azure Media Services.

O evento WRSE24 de maio representou a terceira parte de uma série médica na qual alguns dos principais cirurgiões robóticos do mundo transmitem operações ao vivo para uma audiência cativa composta principalmente por doutores em treinamento, assim como outras partes interessadas.

Esses eventos funcionam como a culminação de quase duas décadas de trabalho do dr. Peter Wiklund, um respeitado urologista e cirurgião, e chefe de medicina molecular e ciências cirúrgicas no Instituto Karolinska em Estocolmo, Suécia. “Cirurgia ao vivo é muito educativa porque você pode ver como cirurgiões lidam com problemas diferentes”, afirma Wiklund. “É muito mais realístico para as pessoas assistirem porque o cirurgião e os espectadores têm a mesma visão”.

Wiklund teve seu primeiro encontro com a tecnologia robótica em 2002, no Hospital da Universidade Karolinska. Na época, urologistas exploravam a cirurgia laparoscópica, também chamada cirurgia minimamente invasiva (minimally invasive surgery – MIS), para o tratamento de condições como o câncer de próstata. “Estávamos usando instrumentos longos nos quais pequenos movimentos se traduzem em grandes”, relembra Wiklund. “Além disso, quando você move sua mão para a direita, o instrumento segue para a esquerda. É ao contrário, esquisito e leva tempo de treinamento.”

Wiklund descobriu que uma família na Suécia doou dinheiro para o departamento de cardiologia do hospital para comprar equipamento robótico para pesquisa e educação. Interessado nas possibilidades em seu campo, ele começou a usar o equipamento para algumas de suas operações de câncer de próstata. Quando o departamento de cardiologia descontinuou seu programa, Wiklund o assumiu. Em poucos anos, ele se pegou viajando pelo mundo conduzindo operações robóticas em outros lugares com equipamentos similares.

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Em teoria, você espera que a robótica seja mais restritiva em relação aos movimentos do que as mãos. Porém, o dr. James R. Porter, diretor médico do programa de robótica do Centro Médico da Suécia e um participante da WRSE24, pensa o contrário. “Quando você faz uma cirurgia laparoscópica, os instrumentos são diretos e você não tem flexibilidade”, ele afirma. “Com a cirurgia robótica, os instrumentos têm um maior grau de liberdade, o que significa maior amplitude de movimento, permitindo que você faça coisas muito complexas em um espaço apertado.”

Isso não significa que o procedimento não tenha desafios. Uma das maiores questões para cirurgiões como Wiklund está relacionada ao que os atletas chamam de “vantagem de jogar em casa”. “Quando você viaja e realiza cirurgias, não opera seus próprios pacientes, não trabalha com sua própria equipe ou usa seus instrumentos”, afirma Wiklund. “Você também opera diante de centenas de outros cirurgiões, o que alguns de nós não gostam.”

Outro problema está relacionado à própria viagem. O cirurgião tem que ir para o hospital, assim como a audiência. Todos estão em movimento e ninguém está onde tem costume.

Para enfrentar esses desafios, Wiklund começou a transmitir em 2005 as operações de Karolinska pela internet, em uma conexão privada, principalmente para conferências. Ao mesmo tempo que a solução dava alcance e resolvia a questão da viagem, ela não tinha uma boa qualidade de imagem e levantava questões sobre segurança.

Então, em 2009, Wiklund conheceu o LiveArena, um serviço de streaming administrado pela família que doou o sistema robótico para seu hospital. Na época, o LiveArena estava focado em transmissões de esportes ao vivo, principalmente de clubes juvenis de hockey. Ele nunca tinha sido utilizado no campo médico, mas estava intrigado com a possibilidade.

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“Viajamos para o Instituto Karolinska e ligamos nossa solução de produção ao robô para ver se conseguiríamos ter um sinal”, afirma Pontus Eklöf, COO da LiveArena. “Então colocamos isso no Azure e Azure Media Services para transmitir procedimentos cirúrgicos ao vivo do começo ao fim.”

Como a LiveArena apenas recentemente começou a usar a nuvem, não poderia prever o resultado de seus esforços. A empresa, no entanto, estava animada com o potencial da nuvem. “Achamos realmente interessante podermos prover um serviço de ponta a ponta no qual alguém se responsabiliza pela infraestrutura e podemos nos focar apenas em desenvolver o software para colocar no topo dessa infraestrutura”, lembra Eklöf.

Ao buscar um fornecedor de serviços de nuvem, a empresa procurou Azure e AWS. O Azure provou ser uma escolha melhor, pois a empresa já usava o framework .NET como base para sua plataforma e o Windows Media Services para suas funcionalidades locais. Visitar o campus de Redmond e sentar-se com líderes da Microsoft solidificou a opinião da empresa.

“A visão deles se alinhou bem com nosso pensamento de permitir que qualquer um tenha seu próprio canal de TV com conteúdo em streaming”, lembra Eklöf.

A LiveArena atualmente transmite 30.000 eventos ao vivo a cada ano. Com Azure Media Services, eles podem transmitir até 600 eventos simultaneamente.

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Com a plataforma LiveArena à sua disposição, Wiklund e um colega urologista, dr. Justin Collins, desenvolveu o WRSE em 2014. O objetivo do evento é criar um debate maior sobre cirurgia robótica. Até agora, cada um desses eventos conseguiu realizar exatamente isso, progressivamente atraindo uma plateia maior, com uma audiência em maio chegando próxima a 4.000 espectadores registrados.

Esses espectadores podem interagir com os cirurgiões e estúdios em tempo real com mídias sociais. Skype, Microsoft, Yammer e Microsoft Pulse todos ajudaram a criar um ambiente interativo para a participação da audiência. Os espectadores da WRSE24 podem comparecer virtualmente a palestras, muitas das quais se sobrepõe, assim eles podem transferir conteúdo após o evento.

Durante o procedimento, os cirurgiões recebem questões pelo Twitter e Microsoft Yammer. Embora isso pudesse ser visto como uma distração, os doutores dizem que é o contrário. “Isso faz com que você foque em todos os aspectos da operação”, afirma Porter. “Além disso, poder ouvir e comunicar enquanto está fazendo coisas com as mãos é uma parte normal da cirurgia. Mesmo quando não estou ensinando alguém, estou me comunicando constantemente com minha equipe.”

Em menos de 15 anos, Wiklund estima que a cirurgia robótica cresceu de um pequeno fragmento em uma indústria com mais de 3.000 sistemas em uso e mais de 10.000 praticantes médicos. A seguir, Wiklund pretende promover mais eventos WRSE e expandir o currículo em outras especialidades. Em novembro, ele irá liderar a quarta edição, que incluirá aulas e cirurgias.

“Acho que isso realmente ajuda ao ensino cirúrgico porque, quando começamos a fazer isso com uma câmera de vídeo, cirurgia laparoscópica e ferramentas robóticas, permitimos a nós mesmos e outros a aprender”, afirma Wiklund. “Para ser possível levar a cirurgia um passo além e educar outras pessoas é um benefício real para todos e um recurso valioso. O cirurgião e os espectadores tem a mesma visão, sendo a oportunidade perfeita para esse tipo de demonstração. Isso é só o começo.”

Fotos e vídeo por Kelly Guenther.