Mariéme Jamme traz o hackaton #iamtheCODE às meninas brasileiras

“Vamos ficar em pé, fechar os olhos, respirar fundo e relaxar.” Aos poucos, as garotas levantam-se, trocando a conversa pela calma. “Agora, vamos pular. Todo mundo pulando!” Assim, Mariéme Jamme dá início aos trabalhos do hackaton do #iamtheCODE, ela mesma pulando com seu vestido azul turquesa de estampa africana, descontraindo a jovem audiência para falar de assunto sério.

Empresária britânica de tecnologia, de origem senegalesa, Mariéme Jamme veio ao Brasil este mês para comandar o hackathon para meninas que aterrissa no país pela primeira vez. Em parceria com a Microsoft, o evento realizado em São Paulo nos dias 21 e 22 de outubro teve o propósito de incentivar as meninas a programar e discutir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas. Participaram cerca de 60 jovens, com idade entre 9 e 16 anos, provenientes de ONGs apoiadas pela Microsoft no Brasil e de escolas da rede de ensino municipal de São Paulo.

Equipe Microsoft e Mariéme Jamme (em pé, à direita) no primeiro dia do hackaton #iamtheCODE

Equipe Microsoft e Mariéme Jamme (em pé, à direita) no primeiro dia do hackaton #iamtheCODE

As garotas ouviram de Mariéme como a tecnologia transformou sua vida e as possibilidades que ela oferece de um futuro melhor para meninas de todas as condições sociais e econômicas. “Abram seus corações para a tecnologia. O conhecimento está ao seu alcance”, disse Mariéme na abertura do hackaton. “Queremos que vocês saiam deste evento empoderadas, com a certeza de que tudo é possível”, completou Alessandra Del Debbio, Vice-presidente Jurídica e de Assuntos Corporativos da Microsoft Brasil.

Da infância ao ativismo educacional e tecnológico

A história de vida de Mariéme Jamme daria um filme emocionante. Passou sua infância na zona rural do Senegal, onde passou por vários orfanatos, após ser abandonada pela mãe. As dificuldades continuaram quando ela foi traficada para Paris, uma realidade pela qual milhares de jovens africanas passam, quando são vítimas do tráfico de meninas para alimentar a prostituição em outros países.

Sem saber ler e escrever até os 16 anos, a jovem Mariéme aprendeu sozinha o básico e, a partir daí, explorou novos horizontes, como a linguagem de programação. Ela aprendeu sete tipos de códigos diferentes em apenas dois anos. Agora, depois de já ter capacitado mais de sete mil meninas, ela quer cumprir a meta de capacitar um milhão de garotas até 2030. “Eu viajei até aqui para poder ensinar as meninas. Se eu conseguir impactar uma ou duas, já terei sido bem-sucedida”, comentou. Seu objetivo é capacitar um milhão de meninas até 2030.

Atualmente, Mariéme é ativista educacional e de tecnologia, programadora e blogueira, que trabalha para empoderar meninas por meio da educação, mentoria, liderança e desenvolvimento econômico. Além disso, ela fundou organizações com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de africanos, como o Cheetah Accelerator (um acelerador de negócios e mentoria), e a Africa Gathering, uma plataforma que une empresários e outras pessoas para compartilhar ideias de mudanças positivas na África.

Sua luta tem tudo a ver com o tema do hackathon #iamtheCODE, que teve quatro circuitos e desafios, de acordo com os seguintes objetivos da ONU: fome zero e agricultura sustentável, educação de qualidade, igualdade de gênero, consumo e produção responsáveis e parcerias e meios de implementação. “Quando você é pobre, não tem a chance de ser legal. Precisamos usar a nossa voz, nos expressar e trabalhar juntos para alcançar os objetivos”, concluiu Mariéme.