O jogo dos blocos: blockchain como tecnologia estratégica

Pai e filho conversavam no caminho para a escola. Quando o carro parou no farol, o menino disparou: “Pai, o que é blockchain?”. Surpreendido pela pergunta, o pai ficou alguns segundos sem reação. “Todo mundo fala de blockchain hoje”, continuou o menino. “É um jogo”, disse o pai, encontrando uma maneira de explicar. Diante da cara de dúvida do filho, continuou: “é um jogo em que você tem que colaborar com outras pessoas para encher vários blocos com informações, e conectá-los um atrás do outro. No final, vão formar uma cadeia de blocos que facilitará a sua vida”.

Embora essa história seja fictícia, a comparação é mais do que verdadeira. De maneira simples, essa é uma tecnologia que tem como um dos principais objetivos facilitar processos corporativos, como, por exemplo, serviços financeiros. Para ficar mais fácil ainda, aqui vai outra ilustração: é como se fosse um livro online, com um número determinado de páginas. Você pode colocar muitas informações nele e, após estar completo, ele é validado – por todos aqueles que participaram do processo – e registrado, para ficar disponível. Quando um registro é feito, outro livro é iniciado, e assim sucessivamente, um após o outro, como se fossem blocos.

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Blockchain é uma cadeia de blocos, certo? Certo! Gustavo Paro, Account Executive na Microsoft, se considera um entusiasta dessa tecnologia e explica o seu uso nas empresas. “Imagine que dentro de uma empresa existem muitos processos e que várias pessoas têm a função de validar informações de cadastro, de regras de negócios ou de valores relacionados àquele processo, o famoso ‘backoffice’ das empresas. O blockchain simplifica essa cadeia, reduzindo etapas, economizando tempo, diminuindo o risco de fraude e a perda de informação durante o fluxo. Uma vez validado pelos participantes, e registrado, o arquivo não pode ser alterado ou apagado”, explica.

A tecnologia de blockchain apareceu pela primeira vez no paper de lançamento do bitcoin, a criptomoeda mais famosa do mundo, em 2008. Por muitos anos, ela se limitou a transações financeiras entre duas partes, tanto usando o bitcoin ou as mais de mil outras criptomoedas que surgiram. Porém, com o lançamento do paper do Ethereum, no final de 2014, escrito por Vitalik Buterin, a utilização dessa tecnologia ganhou um nível a mais de complexidade, com o adendo dos contratos inteligentes, que permitiam o registro de transações financeiras, além de informações referentes às partes de uma negociação de um ativo, como uma casa, por exemplo.

A partir de então, o registro de contratos no blockchain se tornou possível, com as mesmas características de transparência, segurança e imutabilidade. A tecnologia tem se tornado uma parte estratégica dentro do mundo corporativo, por automatizar processos mantendo um bom nível de confiança. O blockchain tem marcado presença em vários segmentos de mercado, desde o financeiro até o setor alimentício, varejo, saúde, manufatura e mídia.

Por exemplo, no setor financeiro, segundo um relatório do WEF (Word Economic Forum), uma transferência bancária internacional de um banco brasileiro para a China pode custar caro, envolvendo taxas de 7% a 12% do valor transferido. Além disso, esse processo pode demorar uma semana ou mais, dependendo da quantidade de bancos/correspondentes bancários necessários para chegar ao destino final. Em um modelo de consórcio, utilizando a tecnologia de blockchain, como a Ripple, por exemplo, você transfere o dinheiro em questão de segundos, com baixo custo e de maneira confiável.

Na Microsoft, os clientes podem escolher a tecnologia na forma que atenda a sua demanda. Durante um período, a empresa fomentou parcerias, evangelizando para depois levar o blockchain aos clientes e realizar a prova de conceito. Desde 2016, no entanto, o blockchain se tornou uma área na Microsoft. “O time de engenharia tem ajudado os clientes a transformar as provas de conceito em ação. Lançamos aceleradores para agilizar essa etapa e a transformação em produtos. Temos investido muito pesado nos aceleradores de teste, olhamos para a camada da aplicação e começamos a investir nela, identificando necessidades específicas de cada indústria, e trabalhando para endereçá-las da melhor forma”, comentou Paro.

Para ajudar a entender melhor como funciona essa tecnologia, que tal um vídeo animado? Dê um clique no episódio 5 do Explanimators, abaixo, e visualize a cadeia de blocos.

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