Como a busca de dados na web pode ajudar a diagnosticar doenças sérias mais cedo

10 de junho de 2016

Postado por admin em Institucional

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Diagnósticos precoces são uma importante vantagem contra uma ampla gama de doenças. Agora, os pesquisadores da Microsoft acreditam que os registros dos tópicos que as pessoas buscam na internet podem um dia ser úteis como exames de raios-x ou ressonância magnética para detectar algumas doenças antes que seja tarde demais.

O potencial de utilizar a interação com mecanismos de buscas para prever um eventual diagnóstico – e possivelmente obter mais tempo para uma resposta médica – foi demonstrado em um novo estudo pelos pesquisadores da Microsoft Eric Horvitz e Ryen White, em conjunto com antigos estagiários e o doutorando pela Universidade da Columbia John Paparrizos.

Num artigo publicado no Journal of Oncology Practice, o trio detalhou como eles utilizaram registros de pesquisa anônimos do Bing para identificar pessoas cujas solicitações forneciam grandes evidências de que eles haviam sido recentemente diagnosticados com câncer de pâncreas – um câncer particularmente letal e de rápida disseminação que é frequentemente identificado muito tarde para curar. Eles então analisaram retroativamente as buscas por sintomas da doença meses antes para identificar padrões de solicitações mais propensos a sinalizar um eventual diagnóstico.

“Descobrimos que os sinais sobre padrões em registros de buscas podem prever o surgimento futuro de buscas que sugerem fortemente um diagnóstico de adenocarcinoma pancreático” – o termo médico para câncer pancreático, escrevem os autores. “Demonstramos que podemos identificar entre 5% e 15% dos casos, enquanto mantivemos taxas de falsos positivos extremamente baixas” numa taxa de 1 para 100.000.

Os pesquisadores usaram dados anônimos em grande escala e compilados com as melhores práticas em relação à ética e privacidade para o estudo.

Eric Horvitz, diretor do laboratório de pesquisa da Microsoft. Fotografado em 21 de dezembro de 2015. (Fotografia por Scott Eklund/Red Box Pictures)

Horvitz, um companheiro técnico e diretor do laboratório de pesquisa da Microsoft em Redmond, Washington, diz que o método mostra a viabilidade de uma nova forma de triagem que pode, em última análise, permitir que pacientes e seus médicos diagnostiquem câncer pancreático e comecem o tratamento semanas ou meses antes. Essa é uma vantagem importante ao lutar contra uma doença com uma chance de sobrevivência bem baixa se não for identificada cedo.

Câncer pancreático – a quarta principal causa de morte por câncer nos Estados Unidos – é, de muitas formas, o tema ideal para o estudo porque tipicamente produz uma série de sintomas sutis como coceira na pele, perda de peso, fezes de cor mais clara, padrões de dores nas costas e tom amarelado na pele e olhos que normalmente não fazem com que o paciente busque ajuda médica.

Horvitz, um especialista em inteligência artificial que possui tanto um Ph.D. quando diploma médico pela Universidade de Stanford, afirma que os pesquisadores descobriram que solicitações feitas para buscar respostas para esse conjunto de sintomas pode servir como um aviso antecipado do início da doença.

Mas Horvitz explica que ele e White, CTO do Microsoft e um especialista em recuperação de informações, acreditam que a análise de solicitações de busca podem ter aplicações mais amplas.

“Estamos animados com relação a aplicar esse procedimento analítico em outras doenças devastadoras e difíceis de detectar”, afirma Horvitz.

Horvitz e White enfatizam que a pesquisa foi feita como uma prova de conceito de que “uma forma diferente de rede de sensores ou sistema de monitoramento” é possível. Os pesquisadores dizem que a Microsoft não tem planos de desenvolver nenhum produto ligado à descoberta.

Ao invés disso, os autores afirmam, eles esperam que os resultados positivos do estudo de viabilidade irão animar a comunidade médica e gerar discussões sobre como uma metodologia de triagem pode ser usada. Eles sugerem que provavelmente irá envolver analisar dados anônimos e ter um método para que as pessoas que decidam participar possam receber algum tipo de notificação sobre riscos de saúde, tanto diretamente quanto através dos algoritmos de eventos detectando um padrão de solicitação de buscas que podem indicar um problema de saúde.

Mas White diz que a análise de buscas não é uma opinião médica.

“O objetivo não é realizar o diagnóstico”, diz. “O objetivo é ajudar aqueles que possuem o maior risco a entrar em contato com professionais médicos, que realmente podem fazer o diagnóstico verdadeiro”.

White e Horvitz dizem que eles querem utilizar os resultados do estudo sobre câncer pancreático diretamente para aqueles em posição de fazer algo com os resultados, motivo pelo qual eles escolheram publicar primeiro em um periódico médico.

“Acho que estou em um ponto em minha carreira no qual não estou interessado no potencial de impacto”, White comenta sobre a decisão. “Na verdade, quero causar impacto. Gostaria de ver a comunidade médica vendo isso e assumindo como uma tecnologia, trabalhando conosco para realizar esse tipo de triagem”.

E Horvitz, que conta que perdeu seu melhor amigo de infância e, logo depois, um colega próximo da ciência da computação para o câncer pancreático, diz que os custos são muito altos para atrasar a divulgação.

“As pessoas estão sendo diagnosticadas muito tarde”, ele diz. “Acreditamos que esses resultados mostram uma nova abordagem para a pré-triagem ou triagem, mas há trabalho a fazer para transformar um estudo de viabilidade num campo para o mundo real”.

Horvitz e White se reuniram anteriormente em outros estudos relacionados à saúde – como uma análise da “cibercondria” de 2008 – ou “ansiedade médica que é estimulada pela busca de sintomas na web”, conforme a explicação de Horvitz – e análises de registros de busca que identificam efeitos adversos de medicações.

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