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Vencedores da Imagine Cup 2015 lançam negócio de moda, compartilham um jogo artístico e levam o mundo para o espaço sideral

21 de julho de 2016

Postado por admin em Institucional, Para educação

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Por Tracy Ith //

Juliana ganhou sua primeira máquina de costura aos 13 anos. Criada em São Paulo, ela se interessava por moda, mas nunca imaginou o que estaria fazendo hoje: começando o próprio negócio com uma ideia criativa que, espera, transforme a vida de muitas pessoas.

Desde que a equipe de Pirani ganhou a premiação máxima na Imagine Cup, a principal competição mundial de tecnologia para estudantes da Microsoft, ela tem trabalhado para transformar o projeto em realidade. Planeja lançar a Clothes For Me, um marketplace online para roupas sob medida, nos próximos meses.

“Antes da Imagine Cup, eu não tinha certeza se seria uma mulher de negócios e abriria minha própria empresa. Mas, após todas as oportunidades e coisas que aconteceram, esse era um caminho que eu precisava seguir”, ela diz. “Preciso saber o que me espera.”

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A equipe eFitFashion ao vencer na categoria Inovação, um dia antes de ganhar o título de campeã mundial da Imagine Cup 2015

Estudantes de todo o mundo irão para Seattle no fim deste mês para as finais da Imagine Cup 2016 e competir por mais de US$ 200.000 em dinheiro e prêmios. Cada uma das 35 equipes finalistas irá apresentar seus projetos, que incluem um videogame sobre física nuclear, um app de realidade virtual que ajuda pacientes que sofreram derrame e uma ideia para revolucionar a propaganda digital.

Os ganhadores das três principais categorias da 14ª edição anual da competição – Games, Inovação e Cidadania – subirão ao palco no dia 29 de julho para apresentar seus projetos. Uma celebridade de outro mundo e um campeão mundial da Imagine Cup 2014 irão decidir quem são os vencedores em uma final emocionante que poderá ser assistida ao vivo em todo o mundo.

Um time ganhará o título de Campeão da Imagine Cup, uma sessão de mentoria privada com Satya Nadella, CEO da Microsoft, e o cobiçado troféu.

Membros dos times que ficaram em primeiro ligar no ano passado ainda estão aproveitando o embalo e a orientação que receberam de especialistas e mentores Microsoft durante esse tempo. Alguns deram passos largos para levar suas ideias para o mercado e outros seguiram outros caminhos pioneiros.

Ser nomeada campeã da Imagine Cup foi um momento incrível para Pirani e seus companheiros Bianca Canezim Letti e Daniel Tsuha, da equipe eFitFashion, que se abraçaram em meio a sorrisos e lágrimas. Quando a emoção e a onda de atenção da mídia arrefeceram, Pirani possuía mais energia do que nunca para transformar seu projeto Clothes For Me em um negócio.

O projeto utilizou um software que personaliza padrões de roupas para caber na medida de cada pessoa e as conecta com costureiras para produzir as peças. A ideia tem dois objetivos: ajudar as pessoas com todos os tipos de corpos a encontrar roupas que se ajustem bem e dar às costureiras uma forma de se conectar aos clientes.

Pirani também está tocando uma nova ideia que planeja lançar até o fim do ano: trabalha com crianças entre 9 e 10 anos para que elas criem suas próprias linhas de roupas e sites para vendê-las, ajudando-as a aprender “tudo sobre o processo de criar roupas, não apenas a parte glamourosa”, afirma.

As roupas serão feitas principalmente por mulheres pobres de São Paulo e região, algumas delas que vivem em situações violentas e de alto risco, ajudando-as a usar suas habilidades de costura para obter mais estabilidade e “ter um canal para promover seu trabalho”, afirma Pirani. “O projeto é um pouco diferente de tudo que há no mercado hoje.”

Pirani disse que a Imagine Cup mudou sua vida de mais formas do que ela poderia esperar.

“A coisa mais incrível que aconteceu foi a oportunidade de poder transformar a vida das pessoas com esse projeto, ir a lugares em que nunca estive antes e falar sobre isso”, ela diz. “Ter mais pessoas dizendo pra mim: ‘Nossa, isso é incrível… Quero saber mais’.”

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Liam McGuire sente o gostinho de estar na cabine de comando de uma nave espacial

A equipe que foi a primeira colocada na categoria Cidadania no último ano criou o Virtual Dementia Experience, uma forma high-tech de ajudar os cuidadores a entender melhor as pessoas que possuem demência. O time australiano agora está trazendo sua tecnologia para uma fronteira completamente nova: o espaço sideral.

Dois membros da equipe, Norman Wang e Liam McGuire, estão trabalhando num jogo chamado Earthlight. Começou como um demo, do estúdio Opaque Media Group, que combina a tecnologia Kinect da Microsoft e um headset de realidade virtual que permite que os usuários tenham a experiência de sentirem-se como astronautas em uma caminhada espacial fora da Estação Espacial Internacional.

O projeto cativou muitas pessoas e chamou a atenção de outras na NASA – e eventualmente evoluiu para uma colaboração para explorar como o que há de mais atual em tecnologia de realidade virtual poderia ser usado para criar simulações realistas para treinamento de astronautas, afirma Wang.

“Poder dizer que estamos colaborando com a NASA para ajudar a treinar a próxima geração de astronautas é algo profundamente recompensador”, diz Wang.

Wang e McGuire tiveram a chance de visitar o famoso Johnson Space Center, em Houston, em março. Lá, eles falaram com várias pessoas, incluindo especialistas em treinamento e astronautas para aprender tudo, desde os momentos mais memoráveis que viveram no espaço até os sons que ouviram.

Visitaram réplicas da Estação Espacial Internacional e puderam dar uma olhada de perto em trajes espaciais e outros equipamentos. O objetivo, diz Wang, era “ter uma melhor percepção de como é ser um astronauta”, e tornar o jogo tão autêntico quanto possível.

Eles esperam lançar Earthlight até o fim do ano. Os outros dois membros do time da Imagine Cup 2015, Chris Mackenzie e James Bonner, agora estão trabalhando em outros projetos para a Opaque Media.

Apesar de óbvias diferenças, Earthlight compartilha algumas tecnologias e a ideia básica do projeto do time vencedor da Imagine Cup: ambos “criam uma experiência que vai muito além das percepções normais e rotineiras do mundo”, afirma Wang.

O time Opaque desenvolveu o Virtual Dementia Experience (VDE) para a Alzheimer’s Australia Vic, uma organização de educação e proteção de portadores de demência, para simular como são as tarefas diárias para essas pessoas. Mais de 3.000 cuidadores já passaram pelo treinamento utilizando-a e o impacto “tem sido fenomenal”, afirma Tanya Petrovich, representante da organização.

Algumas vezes, os cuidadores “estão focados em suas tarefas e não pensam sobre o que está acontecendo com a pessoa que vive com demência”, afirma Petrovich. “É isso que essa experiência faz. Ela muda o foco da tarefa para a pessoa.”

A Microsoft trouxe o time VDE para Seattle para um boot camp de uma semana, na qual eles obtiveram uma variedade de informações valiosas sobre boas empresas sociais, propriedade intelectual, desenvolvimento de negócios e “conselhos legais realmente úteis que foram sob medida para nosso caso específico”, afirma Wang.

Mas a coisa mais importante que a Imagine Cup deu a eles foi a confiança e experiência para ajudá-los com empreendimentos futuros.

“A competição foi intensa e nos ensinou a estar preparados e sermos flexíveis e realmente saber de tudo sobre o que estamos tratando”, diz Wang. “Isso mudou fundamentalmente como nós apresentamos as informações.”

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A equipe IzHard pronta para competir nas finais mundiais da Imagine Cup 2015

A Imagine Cup também foi algo revolucionário para os membros da equipe russa que ganhou a categoria Games no ano passado. Alexander Vilassak, Daria Kruzhinskaya e Dari Chernova – um trio que não possuía experiência anterior na produção de jogos – agora planejam publicar o primeiro jogo ao final do ano.

“Depois da Imagine Cup, tivemos a oportunidade de criar nosso estúdio e fazer o que queríamos com o jogo”, explica Vilassak. “É o trabalho dos sonhos quando… você não tem quaisquer regras ou diretores para entrar no caminho do que você realmente quer fazer.”

O jogo, OVIVO, se passa em um mundo dual de espaços artísticos em preto e branco no qual a gravidade atua em direções opostas. Os jogadores viajam, tentando encontrar um símbolo em cada nível enquanto navegam por contornos hipnotizantes, galhos florescentes de árvores e outros obstáculos artisticamente graciosos.

O jogo começou em 2014, quando Vilassak apareceu em um hackathon da Imagine Cup em São Petersburgo com a ideia de criar um quebra-cabeças de plataforma preto-e-branco. Lá, ele conheceu Kruzhinskaya e Chernova, que gostaram da ideia. Os três investiram 24 horas construindo o primeiro protótipo e ficaram chocados em vê-lo ganhar.

Eles vieram com um nome de equipe peculiar, baseado em uma frase do filme O Senhor dos Anéis – “Eles estão levando os Hobbits para Isengard” –, embora sua interpretação não tenha sido muito precisa: Theytakingahobitstoisenhard. Infelizmente, ninguém conseguia pronunciar e eles a encurtaram para IzHard, que agora é o nome do seu estúdio de games.

Após essa primeira vitória, Vilassak afirma que tudo parecia acontecer em um turbilhão: a preparação para participar, vencer a Imagine Cup Rússia e viajar para os Estados Unidos para competir na final mundial – uma emocionante primeira vez no país para Kruzhinskaya e Chernova. Eles estão entusiasmados com a possibilidade de vencer, além do prêmio de US$ 50.000. “Nos sentimos como estrelas de rock!”, diz Vilassak.

Um publisher com sede em Moscou se ofereceu para publicar seu jogo, um apoio satisfatório, mas a equipe acabou decidindo que eles queriam a liberdade de fazer as coisas do seu próprio jeito. O prêmio em dinheiro os ajudou a criar seu estúdio e a assistir a conferências de videogame em Tel Aviv e Cingapura.

Como parte do prêmio da Imagine Cup, a Microsoft enviou os três para Boston em abril para participar da PAX East, um enorme evento anual de jogos, para demonstrar seu jogo. Essa é uma maneira de obter grande exposição e um incomparável feedback de alguns dos jogadores mais dedicados do mundo.

Pablo Veramendi, gerente da competição Imagine Cup, ajudou a equipe a expôr o OViVO e a receptividade foi enorme. A fila cresceu tanto em seu estande que Vilassak foi deixando as pessoas jogar o jogo em seu telefone e Veramendi foi emprestando seu tablet.

Vilassak estava esperando uma montanha de críticas dos desenvolvedores mas, em vez disso, ouviu de muitos deles que o jogo teve “um design muito cool e simples com um estilo incrível”, relembra. “É muito emocionante quando as pessoas com fogo nos olhos jogam o seu jogo e adoram.”

Em maio, a equipe colocou OViVO na Greenlight Steam, que permite que a comunidade de jogadores decida se um jogo é bom o suficiente para ser lançado em sua plataforma, e recebeu o cobiçado Greenlight em apenas dez dias.

No momento, a equipe está terminando alguns dos níveis do jogo, abordando algumas questões menores e trabalhando para tornar o aplicativo menor para que ocupe menos espaço de armazenamento no PC e nos dispositivos móveis. Eles falaram com alguns publishers que gostaram do jogo e é provável que eles busquem um quando estiver pronto.

Vilassak diz que às vezes ainda não consegue acreditar que ele e seus companheiros de equipe “estão fazendo jogos que sempre sonharam” depois de ganhar tanto por meio da Imagine Cup. “Nós aprendemos muito e ganhamos experiência, além de conhecer muitas pessoas novas”, afirma. “Foi a maior jornada de nossas vidas.”

Transmissão ao vivo

Quer ver mais equipes de estudantes como a eFitFashion, Virtual Dementia Experience and IzHard em ação? Entre em sintonia com a Cerimônia de Premiação da Imagine Cup às 13:30 do dia 28 de julho para ver quem vencerá as categorias Games, Inovação e Cidadania este ano.

Depois, sintonize no Campeonato Imagine Cup às 13:00 no dia 29 de julho para descobrir quem levará o troféu da Imagine Cup e ganhará uma sessão de mentoria exclusiva com Satya Nadella, CEO da Microsoft.

Tracy Ith integra a equipe do Microsoft News Center.

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